Pimórdios da Arte na Idade Média

A Idade Média também é conhecida como Idade Medieval, Era Medieval ou Medievo, ela teria iniciado com a desintegração do Império Romano do Ocidente séc. V (em 476), e terminado com o fim do Império Romano do Oriente com a queda de Constantinopla, no séc. XV (em 1453). A filosofia que até então possuía traços marcadamente clássicos e helenísticos passou a receber influências da cultura judaica e cristã. Alguns temas que antes não faziam parte do universo do pensamento grego, tais como: "Fé", "Salvação", "Providência e Revelação Divina" e "Criação a partir do nada" passaram a fazer parte de temáticas filosóficas e conseqüentemente da arte. Ainda sobre a filosofia, no século IX desenvolveu-se a principal linha filosófica do período, que ficou conhecida como a escolástica.

A questão chave que vai atravessar todo o pensamento filosófico medieval é a harmonização de duas esferas; "a fé" e "a razão". O pensamento de Santo Agostinho (sec.V) reconhecia a importância do conhecimento, mas defendia uma subordinação maior da razão em relação à fé, por crer que esta última venha restaurar a condição decaída da razão humana. Já a linha de São Tomás de Aquino (séc.XIII) defende maior autonomia da razão na obtenção de respostas, apesar de não negar tal subordinação da razão à fé.


Arte:


A maior parte da arte medieval que chegou aos dias de hoje tem um foco religioso — fundamentado no Cristianismo. Essa arte era muitas vezes financiada pela Igreja, e também por figuras poderosas do clero, (bispos, mosteiros, ou por patronos seculares ricos. Como no período a vasta maioria dos camponeses era iletrada, as artes visuais aliadas aos sermões eram o principal método para comunicar as idéias religiosas.

Com a queda do Império Romano técnicas artísticas da Grécia Antiga acabaram perdidas, entre elas estava muito do que se sabia sobre a noção de perspectiva, a pintura medieval passa a ser predominantemente bidimensional, e as personagens retratadas eram pintadas maiores ou menores de acordo com sua importância. Esse caráter estilizado das obras do período é também entendido como um reflexo próprio daquele contexto cultural, que enxergava a vida com forte ênfase no seu aspecto simbólico. Os artistas medievais não estavam primariamente preocupados com o realismo, a intenção de passar uma mensagem religiosa pedia imagens claras e didáticas ao invés de figuras desenhadas com precisão fotográfica.

Ao lado da pintura,a tapeçaria foi a mais importante forma de arte medieval. Isso decorre em muito por sua utilidade ao manter o calor interno dos castelos construídos de pedra no inverno. A mais famosa tapeçaria medieval é o ciclo d' senhora e o uniocórnio. As duas principais manifestações arquitetônicas, principalmente relacionadas à construção de catedrais, foram o estilo românico e mais tarde o gótico. Destaca-se também a formação das corporações de ofício, reunindo artesãos.




A Arte Cristã Primitiva







1ª fase: A Arte das Catacumbas (Estende-se do século I ao início do século IV):

Para entendermos como se origionou a arte Cristã Primitiva ainda no Império Romanos, teremos que recapitular o período da Pax Romana.
Como se sabe, esse foi um período de relativa paz, porém permeado por conflitos e perseguições entre romanos e cristãos.

Para os dirigentes romanos, a divulgação do cristianismo era uma séria ameaça aos valores e interesses do império. A crença monoteísta era contrária ao panteão de divindades romanas, entre as quais se destacava o próprio culto ao imperador de Roma. Ao mesmo tempo, o conceito de liberdade fazia com que vários escravos não se submetessem à imposição governamental que legitimava a posição subalterna dos mesmos.

Dessa forma, os cristãos passaram a ser perseguidos das mais variadas formas:
- eram torturados publicamente,
- lançados ao furor de animais violentos,
- empalados,
- crucificados e,
- até mesmo, queimados em vida.

Para redimir e orar pelos seus mártires, os cristãos passaram a enterrá-los nas chamadas catacumbas.

As CATACUMBAS não serviram, como dissemos, à celebração de culto. Foram cemitérios e locais de reunião e refúgio, nas épocas de maiores perseguições. Em Roma, são hoje locais de visitação turística e peregrinação.
A pintura elaborada no interior das catacumbas era rodeada de uma simbologia que indicava a forte discrição do culto cristão naquele momento.


Os mais recorrente símbolos eram:
O crucifixo, que rememorava a disposição que Jesus teve de morrer pela salvação dos homens.
A âncora significava o ideal de salvação.
A palma, símbolo do martírio.
O peixe era bastante comum, pois a variação grega do termo (“ichtys”) era a mesma das iniciais da frase Iesous CHristos Theou Yios Soter - “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.

O desenvolvimento desse tipo de expressão artística acabou permitindo a execução de cenas cada vez mais complexas. Algumas cenas do texto bíblico começaram a tomar conta da parede das catacumbas. Entretanto, a imagem mais representada era a do próprio Jesus Cristo, na figura do Bom Pastor. Essa fase inicial da arte primitiva não foi dominada por algum artista específico. A maioria das representações encontradas foi executada por anônimos que desejavam expressar suas crenças. A falta de um saber técnico anterior à concepção de tais obras marcou essa fase inicial da arte cristã com formas simples e bastante grosseiras.

Arquitetura

Sendo uma religião perseguida, alvo da vigilância e repressão das autoridades, as práticas cristãs se faziam ocultamente.Desse modo, na fase catacumbária, não existe praticamente arquitetura. Pensou-se, durante muito tempo, que os fiéis se reunissem no interior das catacumbas para celebração do culto. Está provado hoje, por investigações arqueológicas, que faziam dentro de residências, em Roma e outras cidades, geralmente à noite, sob o temor da prisão, tortura e morte. As catacumbas serviam apenas para o sepultamento.Nos primeiros tempos, os cristãos eram sepultados nos cemitérios pagãos.

Deixaram de fazê-lo por dois motivos:

primeiro porque adotaram a prática da inumação, contrária à incineração, usada pelos pagãos; segundo, porque os pagãos consagravam os cemitérios ás suas divindades.
Nas residências, utilizavam salas, com altares improvisados, para os ofícios divinos, os ágapes ou banquetas de amor, como se chamavam, depois transformados na cerimônia da missa.
Algumas casas mais ricas chegaram a possuir uma espécie de templo, com disposição e instalação adequadas.Não podem ser considerados obras de arquitetura os trabalhos, muitas vezes toscos, de sustentação de paredes e tetos ou ampliação de espaço, executados nas catacumbas.
Estas, como sabemos, se constituíam de galerias subterrâneas que se cruzam e entrecruzam, em diferentes níveis, superponde-se, constantemente, em extensões consideráveis de centenas de quilômetros.
Os corpos eram depositados em nichos retangulares, chamados loculi, abertos na parede se superpostos em fila. Uma placa de mármore ou de pedra, com o nome do morto acompanhado de piedosa invocação, fechava a abertura. Quando se reuniam diversos loculi em sepulturas de família ou pequenos altares, dava-se a denominação de cubiculum. Os loculi maiores possuíam um arco, às vezes sobre colunas. Era o arcosolium, continham geralmente um sarcófago de mármore. Em algumas catacumbas, construíam-se criptas, para deposição de ossos de mártires ou despojos de papas, muitas das quais no primeiro século do reconhecimento. Nas catacumbas de Santa Priscilla, existe a capela grega, e nas de São Calisto, a Cripta dos Papas, ambas de Roma. São pequenos recintos, tetos abobadados ou planos, sustentados por arcos e colunas, decorados de pinturas e com vestígios de escultura (alto relevo).Em resume, estes os três elementos arquitetônicos existentes nas catacumbas.

Fontes: Brasil Escola, História das artes